|
CRP-16 participa de audiência dos 20 anos do Ecriad
|
|
|
|
Evento realizado na Ales discutiu os avanços e as conquistas nestas duas décadas de Estatuto da Criança e do Adolescente Entidades e movimentos sociais de todo Estado acompanham a audiência no Plenário da Assembleia
O Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região/ES (CRP-16) marcou presença na audiência pública: 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad) - “O papel dos Municípios no Sistema de Garantia dos Direitos”.
O evento foi realizado na Assembléia Legislativa do Espírito Santo (Ales), em Vitória, no dia 15 de julho, e contou com a participação de diversos movimentos e entidades sociais de todo Estado.
O CRP-16 foi representado por sua vice-presidente, Grayce Merçon Leonardo. A conselheira Sanny Ferreira de Jesus também acompanhou a audiência. Ela representou o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Criad), no qual o CRP-16 tem assento. Grayce e Sanny Palestra O advogado e militante dos direitos humanos, Renato Roseno foi o principal convidado da audiência pública: 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad) - “O papel dos Municípios no Sistema de Garantia dos Direitos”.
Roseno iniciou sua fala, fazendo um paralelo entre duas realidades do Estado. "O Espírito Santo não é só a terra das masmorras (como ficaram conhecidas as prisões capixabas, quando a situação carcerária foi levada à ONU), é também a terra de muita humanidade e muita resistência dos lutadores sociais", argumentou.
O advogado também informou como nasceu o Ecriad há 20 anos no Brasil.
“O Estatuto não foi obra de nenhum jurisconsulto, mas sim das crianças e adolescentes do País que exigiram seu lugar na história”, revelou. Segundo Roseno, esse período da história coincidiu com o da redemocratização nacional, bem como com o da promulgação da Constituição Cidadã, de 1988.
Para ele, uma grande conquista nos 20 do Ecriad “é a inclusão da criança e do adolescente na partilha dos recursos públicos”.
Roseno Roseno falou também sobre o que chama de ‘refundação’ do Brasil, mostrando que falta muito para esse processo acontecer.
“O que mudou nesses 20 anos? Este é um momento para relembrarmos de onde veio a luta. Precisamos questionar se fomos vitoriosos no desafio de refundar o Brasil. Fomos capazes de refundar o Brasil?”, indagou.
Para ele, a sociedade brasileira não vai mudar o sistema escravocrata do Brasil por decreto. “Ainda há milhões e milhões de meninas que não são sujeitos de direito. Com o Estatuto refundamos o Brasil? Ainda somos esse capitalismo, e não seremos minimamente democráticos se não garantirmos os direitos das crianças e dos adolescentes”, analisou.
De acordo com o advogado, a violência é um ponto crítico na questão, e a pior delas é feita pelas instituições.
“Estou falando da violência do trabalho escravo infantil num País que em breve será a quinta economia do mundo. E a maior violência contra a criança e o adolescente é a violência institucional, da não prestação de serviços públicos”, frisou Roseno.
Ele também criticou que no Brasil, os municípios perderam força em termos orçamentários, ocorrendo a concentração das receitas nas mãos do governo federal.
Roseno finalizou sua palestra respondendo a uma pergunta que ele mesmo lançou no ar. “Quais causas merecem uma vida? A causa que merece muitas vidas é a causa de fazer uma vida nova”, disse o advogado que já foi conselheiro do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda) e coordenador da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced).
Com a palavra, o Estatuto O presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Assistência Social da Ales, deputado Claudio Vereza, que conduziu a audiência, leu uma carta escrita pelo membro da Rede de Atendimento Integrado à Criança e ao Adolescente (Aica) Padre Xavier Paolillo.
Xavier escreveu o texto como se fosse o Ecriad, dizendo que completou 20 anos de idade. Confira aqui a carta!
Ato público
Passeata Após a audiência, os participantes caminharam da Ales até o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) para cobrar do Judiciário capixaba mais compromisso com o Ecriad.
A audiência pública foi organizada por entidades que atuam em defesa dos direitos da criança e do adolescente.
|